O debate sobre os danos causados pelo consumo de maconha geralmente é feito por duas lógicas: Uma é a do discurso político daqueles que defendem a política proibicionista. Este tradicionalmente é recheado de mitos que acabam dominando o imaginário popular. Um deles é a velha história da maconha funcionar como porta de entrada para drogas mais pesadas. No campo da ciência o assunto é discutido de forma mais racional, mas ainda encontramos correntes de cientistas que fazem uso de argumentações falaciosas.
Mas é preciso discutir o que de fato a maconha pode prejudicar na saúde mental dos usuários. Na literatura científica é possível encontrar diversos estudos que relacionam o consumo de maconha com o surgimento de síndromes psicóticas, como a esquizofrenia. A chance aumenta ainda mais quando se trata de adolescentes que não possuem seu sistema nervoso totalmente formado e, portanto, se encontram mais vulneráveis a alterações do organismo.
Após a descoberta do sistema endocanabinóide no corpo humano, tornou-se possível a realização de pesquisas que pudessem responder de forma mais correta sobre como a maconha pode afetar o funcionamento das atividades neurais no corpo humano.
Segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicóticas (Cebrid), a maconha é responsável por afetar a memória de curto prazo. De acordo com o psicofarmacologista Elisaldo Carlini, “ela bloqueia a memória de curto prazo, isto é, a memória de pequena duração da qual precisamos num determinado instante e da qual nos desfazemos em seguida”, explica.
Estudos realizados com usuários voluntários apontam dificuldade de aprendizado em testes que forneciam novos desafios após o uso da maconha. Entretanto, nos testes que questionavam sobre informações aprendidas em dias anteriores o resultado foi semelhante aos realizados por aqueles que não consumiram a erva.
Também foi diagnosticado um déficit no controle da atenção, sendo mais fácil ficar desatento após o uso de maconha. Os testes também demonstraram uma velocidade menor de raciocínio dos voluntários, que deveriam responder mais rapidamente as questões aprendidas anteriormente.
Entretanto, as evidências que relacionam o uso da maconha a ocorrência de psicoses crônicas ou paranóias que persistem durante a abstinência são muito menos convincentes. A ocorrência de episódios curtos de psicose de efeitos prolongados, como flashbacks despersonalização podem ocorrer devido à lenta eliminação dos canabinóides do organismo. A relação íntima entre cannabis e psicoses levou pesquisadores a descreverem uma psicose ocasionada diretamente pelo uso pesado de maconha, a cannabis psychosis.
Apesar da comprovação da interferência dos canabinóides no nosso sistema nervoso, alguns estudos sugerem que os efeitos da maconha em usuários leves e ocasionais são reversíveis e ocorrem apenas durante a ação deste canabinóides no organismo, que pode durar entre 12 e 24h, dependendo do tamanho da dose.
Muito bom este Artigo. Parabenizo o mediador pela imparcialidade de forma que expoe os dois lados da moeda. Sim, defende-se a legalização da maconha por inúmeros motivos, mas também se alerta para algumas consequencias do seu uso excessivo.