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As novas caras do ativismo pela legalização das drogas

Raul Seixas disse certa vez que preferia ser uma metamorfose ambulante. Já o filósofo Immanuel Kant declarou que “O sábio pode mudar de opinião. O ignorante, nunca”. Adotar um novo conceito ou posição sobre determinada problemática é algo que faz parte da natureza daqueles que não abandonam a busca por conhecimento e estão sempre refletindo sobre suas posições.

Quando o assunto é legalização das drogas é possível apontar algumas personalidades que mudaram de opinião sobre o tema. Célebres defensores da criminalização e da punição para traficantes e usuários agora engrossam o coro da militância pela libertária. Nesta lista, ganha destaque a história de Siro Darlan, ex-juiz da Infância e da Juventude e atualmente Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

No ano de 2001 Siro Darlan proibiu a entrada de menores no show que o Planet Hemp realizaria com outras bandas no Rio de Janeiro. O então juiz de Infância e da Juventude explicou sua decisão dizendo que “O grupo estimula fato criminoso e, portanto, os menores não podem se expor". A decisão provocou um enorme tumulto no local do evento - a Praça da Apoteose - que teve os portões arrombados pela multidão. Posteriormente o mesmo juiz acusou Marcelo D2 de ter feito apologia às drogas na frente de seu filho Stephan, quando o mesmo tinha 12 anos.

Hoje, é possível ouvir Siro Darlan com outra posição sobre a questão das drogas. No artigo “Por que defendo a legalização das Drogas”, ele afirma que “a proibição pura e simples só interessa àqueles que fingem combatê-la. Concluí que o caminho da educação é o melhor e mais responsável”. O Desembargador também se filiou a Leap Brasil, instituição de origem norte-americana formada por agentes de lei (juízes, promotores, delegados, policiais, etc.) que defendem o fim da proibição das drogas.

O Leap foi criado pelo ex-policial Jack Cole, que trabalhou como agente infiltrado de narcóticos durante quatorze anos na polícia estadual de New Jersey (EUA). Cole afirma ter sido responsável por mais de mil prisões e que hoje se arrepende do trabalho feito. “A legalização regulamentada é a única forma de acabar com a violência neste negócio”, afirmou Jack Cole.

Também chama atenção o ativismo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Depois de deixar o comando do país, FHC agora atua internacionalmente na organização de comissões com outros líderes políticos e empresariais para debater a questão das drogas. Sua conclusão, que é divulgada abertamente, é de que a proibição fracassou e de que é preciso estruturar as propostas de descriminalização e legalização, começando pela maconha.

Ao movimento antiproibicionista cabe a missão de receber de braços abertos qualquer um que mude de opinião e passe a militar em defesa da legalização. Apesar de muitos apontarem como um gesto de fraqueza, mudar de opinião – sobre qualquer tema – é um gesto de evolução para qualquer ser racional.

Comentários

Lourival (não verificado)
Não estamos preparados para ter, 17/07/2012 - 21:42

Não estamos preparados para uma legalização ainda, se acontecesse agora o uso da maconha seria banalizada sem necessidade, prejudicando assim aqueles que fazem bom uso da planta. Dexa como ta por enquanto.