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A maconha nos acordes do blues, jazz e rock and roll

É possível dizer que a arte e as drogas formam uma importante parceria. É de uma enorme ingenuidade ou moralismo barato desprezar a importância dos estados alterados de consciência no processo criativo de artistas que adquiriram status de gênio. Ao pesquisar sobre a importância da maconha do meio artístico é possível encontrar referências de admiração a cultura canábica em canções que marcaram a história do rock, do jazz e do blues.

Para começar o estudo desta história é preciso viajar até a cidade de Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos. É nesta cidade marcada pela forte influência da cultura africana que ocorre o primeiro registro de consumo de maconha dentro do território norte-americano, em 1909. Tal feito ocorreu no distrito de Storyville, que já era famoso pelos pontos de prostituição, e agora começar a agitar a cidade com um novo ritmo musical que saia de dentro dos bordéis: o jazz.

A maconha era a droga preferida dos músicos de Nova Orleans que mantinham uma pesada jornada de trabalho em clube que conquistavam um público cada vez maior. Outro ponto positivo a favor da maconha parte de uma afirmação feita pelos próprios músicos, como Louis Armstrong, de que a cannabis contribuía positivamente na qualidade do processo criativo. A relação entre Armstrong e a maconha se dava de forma tão harmoniosa que a canção Muggles foi feita em homenagem à erva.

No início do século 20, quando o ritmo se popularizou ainda mais, o jazz já estava diretamente associado ao consumo de maconha. Como já era esperado, o fortalecimento de elementos da cultura negra dentro do território norte-americano despertou a fúria dos governantes brancos. Nesta época surgiram uma série de campanhas difamatórias e preconceituosas contra o ritmo que carregava uma espécie de "vodu capaz de fazer pessoas decentes abandonarem suas inibições".

Nem mesmo o aumento da repressão ao consumo de maconha ao longo do século 20 foi suficiente para separar a erva do meio artístico. E assim com o jazz, o mundo rock, que explodiu a partir da década de 50, encontrou na maconha uma fabulosa fonte de inspiração para o processo criativo de canções louvadas até hoje. Mas é neste período da história norte-americana que a maconha atinge um consumo de massa, com a explosão de movimentos contraculturais que contestavam a cultura dominante.

Passados quase 50 anos deste período de efervescência cultural, ainda encontramos algumas personalidades que não se envergonham de admitir o uso de drogas ilícitas. Em uma entrevista de 2008, o lendário guitarrista do Rolling Stones, Keith Richards, afirmou que ainda "fuma maconha o tempo todo". Famoso por ter sobrevivido a experiências com drogas pesadas durante muitos anos, Keith declarou que a maconha é a única droga que ainda consome.

Já Amy Winehouse, que também ficou famosa pelo excessivo consumo de drogas, afirmou ter trocado a maconha pela bebida. A mudança de vício foi influência do marido Blake Fielder-Civil. Em 2007, a cantora, o marido e cabeleireiro particular foram detidos em um hotel de Bergen, na Noruega, por posse de 7 gramas de maconha. Os três passaram a noite na delegacia local e foram liberados após cada um pagar uma multa de 4 mil coroas norueguesas (US$ 580).

Comentários

emg
Mito ou verdade? O fato é que qua, 08/12/2010 - 14:17

Mito ou verdade?
O fato é que realmente temos vários exemplos atuais e do passado, pessoas do meio artístico que se envolvem ou já tiveram contato com algum tipo de droga (principalemnte álcool)...mas leva-se a pensar..será que é para a criação ou uma fuga da realidade? Uma maneira de mostrar que não consegue sozinho aguentar o peso da fama, das cobranças,de tudo que vem junto ao sucesso? Creio que não podemos denominar a maconha como apenas um fator alucinógeno e inspirador,..mas sim como também um buraco para se esconder da sociedade,da mídia...que acaba mesmo sem querer sufocando e reprimindo o individuo.

anônimo (não verificado)
Sou musico e novo ter, 05/04/2011 - 02:08

Sou musico e novo freqüentador desse ótimo site, e eu faria uma comparação talvez um tanto tosca, mas eu gosto de simplicidade. Eu acho que o caçador de uma tribo corre riscos para trazer uma boa carne para os seus, e o risco moderado supervisionado por caçadores mais experientes ensina na pratica a arte de correr esse risco e trazer recompensas para todos. Artistas são em primeiro lugar humanos e tem os mesmos sonhos e os mesmos pesadelos que todos, por isso mesmo aprendem a correr riscos quando viajam pelo caminho da criação artística, que é a responsável pela forma mais linda de representarmos nosso interior, nossa alma, nossa fonte de energia independente do nome dado a ela. Alguns desses riscos estão ligados ao uso de substancias que abrem novas opções de caminhos dentro da intrincada rede de vias criativas que podemos percorrer dentro do estado de inspiração criativa. mas que fique claro, o excesso que qualquer substancia faz qualquer pessoa perder o rumo do raciocínio e o que deveria ser um caminho criativo pode se tornar um mapa mentiroso que o levará a destinos estéreis ou sem o sentido desejado. E vale lembrar que nenhum profissional vive de 'viagens' e sim de conhecimento e pratica.