Por trás de argumentos proibicionistas de alguns cientistas podem estar escondidas motivações que ultrapassam a barreira da ciência. A legalização da maconha – e a possibilidade do cultivo caseiro – fazem parte de um projeto que vai contra os interesses da indústria farmacêutica, que enxerga na cannabis uma mercado altamente lucrativo com a exclusividade da exploração de seu potencial medicinal.
Nos últimos cinco anos, uma série de publicações e reportagens vem revelando a ação da indústria farmacêutica dentro de universidades, hospitais e consultórios médicos. O lobby que seduz estudantes, médicos, cientistas e membros do governo faz parte de um mercado que movimenta U$$ 724,5 bilhões por ano.
O apoio a manutenção da política proibicionista pode ser explicada pela possibilidade da maconha se tornar legalmente competitiva as drogas já ofertadas pela indústria farmacêutica. A legalização pode acabar com a exclusividade dos laboratórios na produção da cura e do bem estar dos indivíduos, mas é pouco provável que esta medida afete o controle que estas empresas exercem sobre a saúde humana.
Mas ao mesmo tempo em que investem para evitar a legalização, os laboratórios trabalham em pesquisas que possibilitem a exploração medicinal da maconha. Em abril de 2005, as autoridades canadenses aprovaram um spray sublingual de cannabis chamado de Sativex. Ele é recomendado para pacientes portadores de esclerose múltipla e foi o primeiro remédio do mundo feito a partir da maconha. Este ano o governo espanhol também aprovou a comercialização do Sativex.
Em 2006 a Unimed Pharmaceuticals lançou o Marinol, que é receitado para tratar a perda de apetite em pacientes portadores do vírus HIV. O Instituto para Pesquisas Clínicas de Berlim, uma organização sem fins lucrativos, está desenvolvendo cápsulas de ingestão oral de cannabis, chamadas Cannador, que também é recomendado para o tratamento de esclerose múltipla.
Estudos realizados pelo médico Raphael Mechoulam, da Universidade Hebraica de Jerusalém, comprovaram a eficácia da cannabis em tratamentos de câncer, AIDS, inflamações, doenças neurológicas e hepáticas, diabetes, osteoporose e alcoolismo. Vale lembrar que Israel também regulamentou o uso medicinal da maconha. Assim como ocorre em alguns estados norte-americanos os pacientes recebem um cartão que possibilita a aquisição da erva de forma legal.
O temor da indústria limita-se ao fato de uma eventual perda da exclusividade na manipulação da maconha com fins medicinais. Por ser uma planta que não depende de nenhum processo industrial para ser utilizada, os pacientes submetidos ao tratamento com cannabis poderiam cultivar a própria erva como alternativa aos remédios disponíveis nas prateleiras das farmácias.
Como dito anteriormente a maconha dificilmente será responsável por abalar a saúde financeira dos laboratórios. Uma eventual perda do controle sobre a exploração medicinal da maconha representaria apenas uma minúscula parte de todos os remédios que estão na mão da indústria farmacêutica. Para o tratamento da maioria das doenças o homem ainda continuará dependente das drogas tradicionais.
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