Tão importante quanto as políticas públicas sobre a venda e uso de drogas é a postura popular diante desta questão. E assim como ocorre na esfera governamental, a opinião de grande parte da população ainda é constituída por mitos e argumentos carentes de fundamentação científica.
A cultura massiva de proibição das drogas vai muito além da utilização e pesquisas falaciosas que buscam manter a criminalização dessas substâncias. O que grande parte da população não sabe é que em um passado não muito distante praticamente todas as drogas hoje ilegais eram legalizadas e até receitadas por médicos. E no Brasil a história não foi diferente.
A criminalização da maconha fundamentada em aspectos médicos e morais acabou por esconder um terceiro e não menos importante interesse. Além do conhecido efeito entorpecente a cannabis também possui um enorme potencial econômico na exploração da fibra de cânhamo. E foi justamente isso que fortaleceu o poderoso lobby da proibição no início do século 20.
A história de proibição da maconha é recheada de mitos e falácias. Mas os argumentos que justificaram a criminalização de uma erva de uso milenar foram aos poucos sendo derrubados pela ciência moderna. Os estudos mais recentes classificaram a maconha como droga menos noviça que o álcool e o tabaco, que são legalizadas e com direito a realizar ampla exploração publicitária de incentivo ao consumo.
Se a rotina parlamentar de 2010 foi marcada pela pouca produtividade por conta do período de eleições, o mesmo não aconteceu com ativismo popular pela legalização da maconha.
Para a construção de um ativismo eficiente do ponto de vista político, a participação de pessoas públicas é fundamental. Felizmente, na luta pela legalização da maconha no Brasil, contamos com a contribuição de juristas, médicos e políticos de diferentes partidos.
Por trás de argumentos proibicionistas de alguns cientistas podem estar escondidas motivações que ultrapassam a barreira da ciência. A legalização da maconha – e a possibilidade do cultivo caseiro – fazem parte de um projeto que vai contra os interesses da indústria farmacêutica, que enxerga na cannabis uma mercado altamente lucrativo com a exclusividade da exploração de seu potencial medicinal.
O debate sobre drogas é cheio de fumaça característica de desinformação. Ao vasculhar e produzir conteúdo sobre maconha, muitas polêmicas são causadas. Poucas são sanadas. Isso porque em grande parte das vezes não há fontes originais das informações correntes entre usuários e profissionais da área.
Até chegar as bocas de fumo a maconha comercializada no Brasil passa por muitos caminhos obscuros. Dependendo da região do Brasil em que é vendida, a erva tem origem paraguaia ou é cultivada dentro do próprio país. A qualidade e o preço são altamente vulneráveis e dependem do nível de repressão ao tráfico de drogas e dos interesses comerciais dos traficantes.
Os aspectos culturais por trás da criminalização da maconha escondem mazelas que podem ser mais perversas do que os males causados pelo consumo da erva. Além de ser responsável por uma guerra sangrenta, a política repressiva é responsável por criar um ambiente de hostilidade e demonização dos usuários.
Por trás das leis que criminalizaram a maconha é possível encontrar uma verdadeira overdose de fundamentos racistas e carentes de fundamentação científica. Mas é importante lembrar que a cultura da maconha não foi introduzida no Brasil apenas pelos negros.
O debate sobre a legalização da maconha é freqüentemente relacionado a importância da iniciativa ser tomada em escala global. Por isso a existência de um projeto pioneiro é fundamental para o avanço do debate.