O fracasso da guerra às drogas vai muito além do já reconhecido desperdício de dinheiro público em uma política que recebeu status internacional de “enxugar gelo”. O foco da repressão armada apontada quase que exclusivamente para a ponta final do negócio das drogas produz um resultado desastroso do ponto de vista social, além de ser pouco eficiente em relação aos objetivos declarados.
A visão depreciativa dos usuários de maconha desenvolvida ao longo de quase 100 anos de uma pesada campanha de demonização da cannabis produziu resultados catastróficos. É possível analisar e provar o fracasso do proibicionismo sobre diversos pontos de vista com suas consequências danosas a usuários e não usuários.
Enquanto países como Argentina e Colômbia já descriminalizaram a posse de maconha para uso pessoal, o Brasil segue colocando a polícia a caça dos usuários. Além de ser contraproducente para uma efetiva política de drogas, esta prática, somada a uma legislação que não consegue separar consumidores de traficantes, é responsável por uma série de violações aos direitos constitucionais do cidadão.
Na hora da repressão, o maior problema para o consumidor de drogas ilícitas pode ser a falta de informação. Afinal, muitos ainda desconhecem a essência da Lei 11.343/06, que acabou com a pena de prisão para quem "adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo drogas para consumo pessoal".
Uma cortina de fumaça encobre a mente de gerações nascidas com a política de criminalização das drogas. Mas não é fácil mudar a atitude de quem passou boa parte da vida lendo e ouvindo que a guerra às drogas busca libertar a humanidade do mal gerado pelo consumo de substâncias depreciadoras da raça humana.
No combate ao consumo de maconha a política proibicionista explora ao máximo os efeitos físicos causados pelo uso da erva como forma de facilitar a identificação dos usuários. O problema desta prática está em uma insistente classificação de que todo usuário é um doente que precisa de um tratamento médico e psiquiátrico.
Como vocês sabem, na França, o consumo da canabis é totalmente proibido, mas não é assim tão penalizado pela justiça.
Quando vou à estação da minha cidade, encontro sempre amigos de infância que me desejam uma boa tarde.
Esses amigos vendem maconha as pessoas que querem ter uma famosa "barette de cannabis", para um bom preço.