O fracasso da guerra às drogas vai muito além do já reconhecido desperdício de dinheiro público em uma política que recebeu status internacional de “enxugar gelo”. O foco da repressão armada apontada quase que exclusivamente para a ponta final do negócio das drogas produz um resultado desastroso do ponto de vista social, além de ser pouco eficiente em relação aos objetivos declarados.
O debate sobre a legalização das maconha ainda enfrenta uma poderosa frente oposicionista. A mais arrogante delas faz uso da tática de criminalizar o movimento com base no crime de apologia ao uso drogas. Como é de conhecimento público, esta linha de pensamento resultou na proibição de várias edições da Marcha da Maconha pelo Brasil.
Antes de ser tratada como uma questão criminal, a problemática do consumo de maconha por menores de idade precisa ser trabalhada dentro da lógica da saúde. Seguindo esta linha, é preciso desvincular a questão jurídica dos 18 anos como sendo uma fronteira onde o indivíduo recebe o direito de responder por si próprio.
Se a rotina parlamentar de 2010 foi marcada pela pouca produtividade por conta do período de eleições, o mesmo não aconteceu com ativismo popular pela legalização da maconha.
Além de fracassar no seu objetivo primário, a guerra às drogas carrega o peso de uma extensa lista de mortos e feridos, além incontáveis casos de violação dos direitos humanos cometidos por agentes da lei em nome de uma questionável política de segurança pública.
Enquanto países como Argentina e Colômbia já descriminalizaram a posse de maconha para uso pessoal, o Brasil segue colocando a polícia a caça dos usuários. Além de ser contraproducente para uma efetiva política de drogas, esta prática, somada a uma legislação que não consegue separar consumidores de traficantes, é responsável por uma série de violações aos direitos constitucionais do cidadão.
Como vocês sabem, na França, o consumo da canabis é totalmente proibido, mas não é assim tão penalizado pela justiça.
Quando vou à estação da minha cidade, encontro sempre amigos de infância que me desejam uma boa tarde.
Esses amigos vendem maconha as pessoas que querem ter uma famosa "barette de cannabis", para um bom preço.