Não é difícil encontrar quem diga que o Brasil só começa a funcionar depois do Carnaval. Apesar de não ser uma verdade absoluta é possível dizer que esta afirmação deve, pelo menos em alguns casos, ser levada a sério. É fato que a organização de uma mobilização popular fica seriamente comprometida nos meses que antecedem a folia.
É tradição do mercado negro do comércio de maconha a existência de um período de supervalorização da erva. Na "Seca" (nome dado à época onde há uma aparente falta de maconha para venda), que ocorre em alguns Estados do Brasil principalmente no verão, a oferta de maconha é reduzida drasticamente e, por consequência, o preço é duramente inflacionado.
No combate ao consumo de maconha a política proibicionista explora ao máximo os efeitos físicos causados pelo uso da erva como forma de facilitar a identificação dos usuários. O problema desta prática está em uma insistente classificação de que todo usuário é um doente que precisa de um tratamento médico e psiquiátrico.
De tão comum na classe artística, a busca por estados alterados de consciência pode surpreender pessoas que condenam o uso de drogas. Do rock ao clássico, é possível encontrar exemplos de músicos que receberam o título de gênio e buscaram nas drogas a inspiração para composições admiradas até hoje.
Os avanços das políticas de drogas no Brasil dependem fundamentalmente do fortalecimento do ativismo popular. E díficil imaginar qualquer mudança na atual legislação sem a pressão de grupos populares.
Em um futuro não muito distante a declaração de guerra contra uma planta será lembrada como um dos momentos de maior vergonha para a sociedade do século 20. Iniciada na década de 30, a ofensiva militar contra a maconha não obteve nenhum resultado positivo.
Os argumentos em defesa da legalização da maconha podem ser defindidos por múltiplos aspectos. O uso medicinal, as mazelas sociais causadas pela proibição, as liberdades individuais e o potencial econômico da cannabis, constumam ser os temas mais abordados. Mas existe outro aspecto que pode exercer papel fudamental em uma eventual defesa jurídica pela legalização: o uso religioso.