Mais do que trazer danos terríveis para a vida em sociedade a criminalização das drogas também afeta questões individuais da vida do cidadão comum. Marginalizado pelo Estado, amigos e pela própria família o usuário de drogas ilícitas tende a transformar seu hábito em um segredo que poucos conhecem. Quando “a casa cai” as consequências costumam ser traumáticas.
Raul Seixas disse certa vez que preferia ser uma metamorfose ambulante. Já o filósofo Immanuel Kant declarou que “O sábio pode mudar de opinião. O ignorante, nunca”. Adotar um novo conceito ou posição sobre determinada problemática é algo que faz parte da natureza daqueles que não abandonam a busca por conhecimento e estão sempre refletindo sobre suas posições.
A política feita pelos políticos profissionais pode render muitas surpresas para o cidadão comum. Independente do regime político é possível somar inúmeros casos de velhos inimigos que se abraçam por uma nova causa e conservadores tradicionais adotando posições mais libertárias.
A visão depreciativa dos usuários de maconha desenvolvida ao longo de quase 100 anos de uma pesada campanha de demonização da cannabis produziu resultados catastróficos. É possível analisar e provar o fracasso do proibicionismo sobre diversos pontos de vista com suas consequências danosas a usuários e não usuários.
A imprensa livre é um dos pilares fundamentais de qualquer estado democrático. A responsabilidade de informar o cidadão sobre a verdade dos fatos é um exercício de grande responsabilidade, pois um simples descuido pode trazer consequências catastróficas para determinados grupos ou indivíduos.
Qualquer argumento de ordem médica que justifique a proibição da maconha torna-se insustentável em uma sociedade tão permissiva e tolerante ao uso do tabaco, uma das drogas mais mortíferas da humanidade.
A hipocrisia política ocorre quando o fumo é apontado como um importante motor da economia nacional e a maconha é alvo de intensa repressão e preconceito.
A história do mercado da maconha afeta não somente as Americas mas o mundo inteiro. Um dos integrantes do CA conversou com uma conhecida francesa e pediu para que ela falasse um pouco sobre como funciona a questão das drogas no seu país. Segue o texto sem modificações:
A história de proibição da maconha é recheada de mitos e falácias. Mas os argumentos que justificaram a criminalização de uma erva de uso milenar foram aos poucos sendo derrubados pela ciência moderna. Os estudos mais recentes classificaram a maconha como droga menos noviça que o álcool e o tabaco, que são legalizadas e com direito a realizar ampla exploração publicitária de incentivo ao consumo.
A viagem pela história da maconha é longa, complexa e polêmica. Mas é certo que os quase cem anos de proibição do cultivo da maconha acabaram por destruir milênios de relação harmônica entre o homem e esta planta de múltiplas utilidades. Para entender está questão é preciso voltar ao passado, onde a erva que hoje é apontada como a origem de muitos problemas, já foi a salvação de muitos povos.
É crescente o fortalecimento da tese de que a repressão policial ao consumo de maconha pode provocar problemas piores do que aqueles causados pela própria droga. Mas também preciso debater a temática da repressão e do preconceito dentro da esfera familiar, que pode ser responsável por problemas ainda mais complicados.
Enquanto países como Argentina e Colômbia já descriminalizaram a posse de maconha para uso pessoal, o Brasil segue colocando a polícia a caça dos usuários. Além de ser contraproducente para uma efetiva política de drogas, esta prática, somada a uma legislação que não consegue separar consumidores de traficantes, é responsável por uma série de violações aos direitos constitucionais do cidadão.
Passado o período de eleições, a campanha vencedora começa a montar a equipe que governará o país nos próximos quatros. Apesar de ser uma continuidade de poder do Partido dos Trabalhadores é possível esperar algumas mudanças do ponto de vista ideológico sobre temas que ainda geram polêmica.
Quando foi instituída em quase todo planeta, a proibição das drogas buscava erradicar totalmente a produção e o consumo das substâncias ilícitas. Para o sucesso deste projeto, liderado pelos Estados Unidos, foi um realizado um pesado investimento em forças repressivas que combatiam (e ainda combatem) produtores e consumidores das drogas.
Na hora da repressão, o maior problema para o consumidor de drogas ilícitas pode ser a falta de informação. Afinal, muitos ainda desconhecem a essência da Lei 11.343/06, que acabou com a pena de prisão para quem "adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo drogas para consumo pessoal".
É possível dizer que a arte e as drogas formam uma importante parceria. É de uma enorme ingenuidade ou moralismo barato desprezar a importância dos estados alterados de consciência no processo criativo de artistas que adquiriram status de gênio.