Apesar da forte oposição moralista a ciência moderna já comprovou o que as civilizações mais antigas do planeta já sabiam: a cannabis possui um enorme potencial medicinal.
Antes de ser tratada como uma questão criminal, a problemática do consumo de maconha por menores de idade precisa ser trabalhada dentro da lógica da saúde. Seguindo esta linha, é preciso desvincular a questão jurídica dos 18 anos como sendo uma fronteira onde o indivíduo recebe o direito de responder por si próprio.
Qualquer argumento de ordem médica que justifique a proibição da maconha torna-se insustentável em uma sociedade tão permissiva e tolerante ao uso do tabaco, uma das drogas mais mortíferas da humanidade.
A hipocrisia política ocorre quando o fumo é apontado como um importante motor da economia nacional e a maconha é alvo de intensa repressão e preconceito.
A descoberta do sistema endocanabinóide nos anos 90 é sem dúvida um grande marco no desenvolvimento dos estudos sobre os efeitos da maconha no organismo. A partir deste momento a ciência acabou com alguns dos mais famosos mitos criados pela política proibicionista, além de conseguir provar a eficiência da cannabis sativa no tratamento de doenças como o câncer e a AIDS.
A história de proibição da maconha é recheada de mitos e falácias. Mas os argumentos que justificaram a criminalização de uma erva de uso milenar foram aos poucos sendo derrubados pela ciência moderna. Os estudos mais recentes classificaram a maconha como droga menos noviça que o álcool e o tabaco, que são legalizadas e com direito a realizar ampla exploração publicitária de incentivo ao consumo.
Apesar da eficácia comprovada, a possibilidade de exploração medicinal da maconha ainda causa espanto e repulsa em muitas correntes médicas. Fato é que sua regulamentação vem ganhando força pelo mundo, onde pacientes portadores de dores crônicas ou aqueles submetidos a tratamento como a quimioterapia estão conseguindo autorização para comprar ou cultivar a maconha de forma legal.
Os efeitos colaterais causados pelo consumo de maconha ainda são responsáveis por muitos conflitos na comunidade científica. A publicação de estudos conflitantes somado à posição ideológica de alguns cientistas acabam criando uma ambiente confuso para quem busca por este tipo de informação.
Por trás de argumentos proibicionistas de alguns cientistas podem estar escondidas motivações que ultrapassam a barreira da ciência. A legalização da maconha – e a possibilidade do cultivo caseiro – fazem parte de um projeto que vai contra os interesses da indústria farmacêutica, que enxerga na cannabis uma mercado altamente lucrativo com a exclusividade da exploração de seu potencial medicinal.