Passados quase três séculos do início da Revolução Industrial o homem finalmente passou a se preocupar com os danos que seu modo de vida causa ao meio ambiente. Do ponto de vista da questão energética, em que os derivados do petróleo figuram entre os maiores vilões da poluição, uma questão tem sido pouco explorada: a utilização do cânhamo como um combustível ecologicamente correto.
Não é difícil encontrar quem diga que o Brasil só começa a funcionar depois do Carnaval. Apesar de não ser uma verdade absoluta é possível dizer que esta afirmação deve, pelo menos em alguns casos, ser levada a sério. É fato que a organização de uma mobilização popular fica seriamente comprometida nos meses que antecedem a folia.
Os bastidores da criminalização da maconha revelam que esta decisão vai muito além das já conhecidas questões morais e médicas. Sem querer levantar uma teoria da conspiração é possível dizer que o poder econômico, sobretudo de indústrias concorrentes ao cânhamo, teve participação fundamental no lobby que conseguiu proibir o cultivo da cannabis em quase todo planeta.
Apesar da forte oposição moralista a ciência moderna já comprovou o que as civilizações mais antigas do planeta já sabiam: a cannabis possui um enorme potencial medicinal.
Tão importante quanto as políticas públicas sobre a venda e uso de drogas é a postura popular diante desta questão. E assim como ocorre na esfera governamental, a opinião de grande parte da população ainda é constituída por mitos e argumentos carentes de fundamentação científica.
A busca pelo entendimento de como a maconha age no organismo humano não é nenhuma novidade. Algumas das civilizações mais antigas do planeta, que já faziam o uso da cannabis, procuravam relatar de forma documental os efeitos externos e internos causados pelo consumo desta planta de múltiplas funções.
Apesar de ser pouco lembrado em listas de grandes invenções o papel possui grande importância no desenvolvimento de diversas civilizações e na preservação de registros históricos fundamentais para o entendimento do nosso passado. Desde sua invenção pelos chineses no ano 105 d.C. o cânhamo nunca deixou de ser utilizado para este fim.
A poluição e a degradação ambiental causadas pela elevada utilização de combustíveis fósseis levaram o homem a buscar soluções mais sustentáveis para a manutenção das atividades do mundo moderno. Neste contexto, os biocombustíveis surgiram com as grandes vedetes da busca por uma matriz energética menos agressiva ao Planeta.
Os registros históricos de utilização da cannabis podem surpreender e até chocar o mais duro dos proibicionistas. Enquanto as tradicionais religiões ocidentais repudiam suas próprias heranças místicas o outro lado do Mundo busca uma relação mais harmoniosa com a cannabis sativa.
A teoria proibicionista costuma acusar o usuário de drogas como responsável pela existência do tráfico de drogas que gera mortes e violência. Mas a popularização do cultivo caseiro de maconha começa aos poucos a destruir este mito, já que a figura do intermediário do comércio de drogas ilícitas é retirada deste contexto.
Qualquer argumento de ordem médica que justifique a proibição da maconha torna-se insustentável em uma sociedade tão permissiva e tolerante ao uso do tabaco, uma das drogas mais mortíferas da humanidade.
A hipocrisia política ocorre quando o fumo é apontado como um importante motor da economia nacional e a maconha é alvo de intensa repressão e preconceito.
Na história dos rituais místicos com uso de alteradores de consciência é possível dizer que nem tudo evoluiu ao longo dos séculos. Isso porque passamos de um estágio de aceitação e tolerância a essas práticas para um ambiente de preconceito e criminalização daqueles que utilizam plantas com efeitos alucinógenos durante seus rituais sagrados.
A viagem pela história da maconha é longa, complexa e polêmica. Mas é certo que os quase cem anos de proibição do cultivo da maconha acabaram por destruir milênios de relação harmônica entre o homem e esta planta de múltiplas utilidades. Para entender está questão é preciso voltar ao passado, onde a erva que hoje é apontada como a origem de muitos problemas, já foi a salvação de muitos povos.
O debate que antes estava limitado a um pequeno grupo de ditos "idealistas" começa aos poucos a atingir as massas. Se no passado era possível contar nos dedos aqueles que falavam de maconha publicamente, hoje temos um cenário bem mais amplo e diversificado. É com esta pluralidade de idéias e pessoas que a cultura canábica se fortalece e caminha para uma normalização social.
Apesar da eficácia comprovada, a possibilidade de exploração medicinal da maconha ainda causa espanto e repulsa em muitas correntes médicas. Fato é que sua regulamentação vem ganhando força pelo mundo, onde pacientes portadores de dores crônicas ou aqueles submetidos a tratamento como a quimioterapia estão conseguindo autorização para comprar ou cultivar a maconha de forma legal.